nossas vidas
começam a terminar
no dia em que
permanecemos
em silêncio
sobre as coisas
que importam.
o jeito como
vão embora
diz
tudorupi kaur
Yellow is our favorite color
julieta sacrifica-se após descobrir que romeu tirou a própria vida bebendo um veneno mortal, ela faz isso porque certamente achava que não conseguiria viver sem ele.
o que ninguém tem coragem de falar, é que essa atitude mórbida que era para ser a mais generosa e romântica do século, é o ato mais patético da literatura.
romeu envenena-se porque julieta está (supostamente) morta,
mas quando ela acorda do falso luto se depara com romeu sem vida,
acaba não suportando e suicida-se com um punhal no peito.
entende?
não faz sentido nenhum essa ordem cronológica.
eles deixaram de viver uma infinidade de coisas porque amaram outra carne antes de amarem a si mesmos.
poderiam ter aprendido a viver sem sentir a necessidade de ter alguém.
não tiveram a oportunidade de se apaixonar pela própria companhia,
e saber como é extraordinário se sentir completo mesmo estando sozinho.
fizeram a burrice de tirar o que tinham de mais valioso; a vida.
e nunca mais viram uma tarde de domingo ensolarada no campo,
nem sentiram a brisa leve de um vento no rosto,
junto ao agradável canto doce dos pássaros.
se privaram de sensações utópicas porque um se matou pelo outro
e no fim ninguém ficou com ninguém.
foi como trocar seis por meia dúzia.
eles escolheram morrer só porque não podiam viver uma relação proibida.
por isso romeu e julieta não é uma história de amor.
é de sacrifício.
e a morte de ambos comprova isso.pedro pinheiro.
regenerastes-deactivated2022111:
quando eu te pedia desculpa não era sobre você, era sobre mim. eu odeio ser cruel. eu odeio dizer coisas que machucam. eu odeio quando meus monstros me controlam. eu não quero ser essa pessoa. quando eu te pedia desculpa não era sobre você, era sobre mim e a tentativa falha de não deixar minha pior versão me definir.
Eu quis te superar, as três da manhã, olhando a minha cama vazia como se não tivéssemos feito amor ali umas quinhentas vezes.
Eu aprendi a te superar quando percebi que não adiantava mais te procurar, nada que eu fizesse seria suficiente para você me notar e que por mais que eu gritasse seu nome você não iria mais escutar. Na hora que a ficha caiu e percebi que não havia mais chance de volta, não havia mais um “Nós”, que tudo que planejamos juntas não passou de um sonho meu, foi impossível as lágrimas não caírem. Aceitei que a partir daquele instante era apenas eu, a bagunça e todas aquelas lembranças do que vivemos, e isso foi algo perturbador .
Desejei te deixar ir embora como quem empurra todas as lembranças ruins para dentro de um baú, acorrenta e foge, porque te amar foi uma devoção completa do meu ser e eu nunca tinha venerado ninguém antes e isso levou muito de mim.
Mas o tempo passou e por mais que eu não entendesse as razões disso ter acontecido, eu precisei ser forte, precisei aprender a não te esquecer e sim, a te superar … Isso mesmo SUPERAR, palavra forte né? Ai me perguntei porque não posso simplesmente te esquecer? Por que esquecimento é algo momentâneo, passageiro. Na primeira vez que eu te visse iria desmoronar .E a Superação é algo bem mais complexo e duradouro… Até Você superar alguém de verdade leva tempo, maturidade, sanidade física e principalmente mental. Eu precisei ser forte o suficiente para entender que apesar das coisas terem chegado ao final nós tivemos bons momentos, boas lembranças que merecem serem guardadas com carinho, claro que durante a caminhada houve momentos ruins, coisas das quais eu queria me livrar o mais depressa possível, mas é ai que está a questão quando Você aprende a Superar você não joga fora os momentos ruins, você aprende a separá-los, a não deixar eles te afetarem, aprende a conviver com eles, claro que tem que ter muita forca de vontade, muita garra para superar todas as indas e vinda do amor .
Deixei para trás todas as crenças e de todos os dogmas que me prendiam a você e sem ver mais nenhuma fronteira eu vagueio. Esperando chegar a borda do mundo, mesmo já vivendo na beirada do precipício que é amar você.
Superar é aprender a lidar com a dor, é poder sentar com a pessoa que te feriu e conversar abertamente sem sentir ódio ou rancor, é libertar- se do passado, é desprender-se do que aconteceu, e do que poderia ter acontecido, é se abrir para novas histórias com novas perspectivas, é abrir o coração para uma nova história de amor .
Minhas orações não te pertencem mais, assim como meu corpo. Virei meu próprio templo. E a única deusa que existe aqui agora sou eu.
Jordana (winter-sarturn) and Becker (dark-mind) em compartilhando a essência.
ai. é que vai doer bastante ainda. amanhã, na sexta-feira quando você olhar para o lado e não sentir mais o perfume, o cheiro da nuca suada ou do corpo pós-sexo. e vai doer na quarta-feira que vem, porque ele gosta de futebol e você odeia futebol. e doerá similarmente aos finais de semana, que é quando ambos se lembrarão da falta e da ausência. e a dor vai incomodar quando você vir alguém parecido no metrô, no ônibus a caminho da faculdade, na praia e no supermercado. ele parecerá te perseguir todos os dias: como uma criança levada, vai se posicionar estrategicamente para que você o veja em cada canto da cidade. mesmo que ele não esteja lá, você o verá. e seu coração vai pular para fora. muitas e muitas vezes. você vai se esquecer de sair com os amigos. vai perder missas e orações. e perderá também os compromissos marcados com antecipação. a dor deitará nos seus ombros e te impedirá de querer levantar para viver. mas você vai, afinal, sofrer nunca foi sinal de fraqueza, né? nunca foi. e você vai engolir o choro às seis da tarde naquela estação de metrô onde vocês costumavam se encontrar. e vai se concentrar em tentar bloquear cada pensamento de cada movimento que se viveu e se criou. e foram tantos.
ai. é que vai doer bastante ainda. depois de amanhã. na quinta-feira. quem sabe daqui dois meses. num dia aleatório onde você parecerá feliz até lembrar. e a criança sapeca estará lá, na sua frente, tentando se mostrar. você vai tentar desviar o caminho, mas a memória permanecerá inerente a cada ambiente que vocês viveram juntos. o que vai doer, e sempre dói (não dói?) é compreender que aquela existência, naquele espaço-ambiente-lugar, não existe mais. quebrou. o altar imaculado já não é palco para cultos e orações. dói. dói perceber que não tem mais nada naquelas paredes que erguemos dentro da faculdade. que não existe nada naquela rua onde costumava-se beber e discutir política. quem está pior, brasil ou argentina? e assim por diante. doerá daqui quatro semanas, quando acidentalmente uma foto dela pulará na tela do seu celular. droga! backup às vezes pode ser uma droga. e lá se vão todas as memórias, de novo, na ponta da mente: você vai se lembrar que aquela foto fora tirada no verão de 2015, quando ela disse eu te amo pela primeira vez. você contabilizou 136 vezes. que ela disse que te amava. e que você respondeu com um eu te amo de volta. você vai evitar propaganda sobre casais apaixonados. amaldiçoará o amor vez ou outra. vai se fechar para outras possibilidades. as festas darão espaço para uma cama macia e um cobertor quente. os hábitos também mudarão: café três vezes ao dia para aguentar a pressão do trabalho, os livros ficarão em segundo plano. livrarias no centro da cidade nem tão cedo. ela amava, meu deus como amava, poesia contemporânea. e vai doer tanta coisa ainda. a maneira como um desconhecido fala sobre o Mercosul com tamanha veemência que tudo o que ela disse parecerá menor, perderá valor. a maneira como ela seguiu a vida abrirá um buraco no limite do seu peito: você pensará ‘como ela seguiu e eu fiquei aqui estagnado’. e, ai, vai doer tanto ainda. a ferida não cicatrizará com pomadas compradas na farmácia em que vocês iam para comprar camisinha. a pomada não vai anestesiar o buraco da ausência. como é que a gente cicatriza uma parte nossa que ficou pelo caminho? a ferida não vai cicatrizar daqui dois dias, às vezes até meses. ai, doerá tanto ainda.
mas pode ser que você encontre um jeito de seguir também. seguir, que pode ser tentando olhar mais para dentro de si mesmo para encontrar resquícios da sua própria luz dançando no escuro. seguir, que neste momento pode significar olhar com carinho, cuidado e afeto para o próprio coração, e, ao invés de querer arrancá-lo para fora, tentar curá-lo com a força das próximas lágrimas. quando, compreendida no próprio luto, a vida parece te arrancar do asfalto para te cultivar num jardim suspenso no meio da poluição paulistana. seguir, porque um dia para de doer. e você passará a ir nos lugares onde a dor parecia interminável e começará a dançar sua própria música. vai colocar a mão no próprio joelho e apertará os cílios para entender o milagre que é estar vivo. pode ser que a dor vá embora daqui umas semanas e quando você descobrir que não dói, ou não como antes, vai voltar àquele lugar tão dramático que semanas atrás te arrancaria o peito, a pele, a vontade de viver.
tem tanta coisa ainda, a se viver, a se expandir. tanto caminho para ser visto e desejado. e outras pessoas. e tudo novo, de novo.
pode doer hoje, amanhã e pelas próximas 39 semanas. a dor pode estender no seu coração uma vontade de nunca mais se relacionar com alguém. e ela pode tentar te fazer desistir das pessoas e da felicidade. mas ela pode ir embora. quem sabe amanhã, quando você estiver lavando a louça, ou sábado que vem, quando você encontrar uma amiga antiga e, a partir dali, um novo caminho e estado de espírito. quando você olhar para si mesmo e entender que a pele do coração se regenera assim como os dias vêm e vão: com a intensidade de quem entende a vida, o amor brotará de novoe de novo
e de novo.